quinta-feira, setembro 29, 2005

Lamento de uma Amor com aplicabilidade

Sinto ao saber que possuo meia
Sua metade partida quebrada
Sinto não ter-te por inteira
Somente esfacelada

Não sou a causadora da paixão
Visceral avassaladora que consome e alimenta
Que num êxtase de felicidade te enche de tensão
Amedronta com ternura, estremece teu coração

Conformada com teu brando amor
Enquanto o meu arde em alarde
Rasgo-me por inteira provocando minha entrega maior

O preço de um amor com aplicabilidade
Parece-me alto ao deixar a desejar
Algo muito maior que jamais poderei lhe dar

Nova Moça

Misteriosa moça sorrateira
Tua gentil majestade
Enseja paixão ardente
Timidez silenciosa
Coração carente

Solene na melancolia de teus olhos
No castanho de teus cabelos
Na alvura de tua pele
Anseio repousar sobre teu seio
Almejo sentir teu cheiro

Quero teu beijo suave
Lábios macios cheios de vontade
Desejo sentir sem medo
Tremer veemente vulnerável
Entregue a ti em teus braços

Esse momento procrastinado
Destino adiado
Ainda não deleitado
Espero primeiro encontro desajeitado

Olhares envergonhados
Sorrisos sem graças cheios de graça.
Preparação para o primeiro toque
Com tensão, excitação concomitante.
Neste mesmo instante coração pulsa na mão
Pele + pele = explosão!

Toque de dedos
Perco-me no êxtase da situação
Teu cheiro me inunda
Provoca-me vertigem profunda
Em alerta, constante apreensão
Aprendendo a viver com mais emoção.

Destinados

Peço-lhe que abra o coração
Não deixe a porta fechada
Deixe-me entrar aí bem no fundão

Acredito em destino
Com certo controle em nossas mãos
Podemos moldar a nossa missão

Mas caso não queira minha mão
Fizemos tudo que estava ao nosso alcance
O destino que avance e decida este romance
Pois mais esforço seria em vão

Atores no Tempo

Espero ansioso o resultado
Terá o tempo se tornado seu aliado?
Ajustando parafusos desajustados
Clareando pensamentos inebriados?

Atingida a paz de espírito necessária
Reiniciamos a historia já encenada
Mesmos atores de alma renovada
Recontam de maneira aprimorada

No palco da vida então
Vivenciam de fato uma paixão
Branda, leve, saudável relação.
Enfim o Amor entra em ação.

Bom Valente

Abjuras com fervor
Todas minhas juras de amor
Abalizado bom valente
Acabrunhado por meus pecados
Atravesso bravamente a corrente

Para acorrer-te enfim
Dos abrolhos do mar sem fim
Das lágrimas nefastas
Que a tua face encharcam
E a tua vida estragam

Demora

Demoras, pois não vês.
Todo meu bem querer
Faltas perceber e entender
Todo bem que a ti desejo fazer.

Quero-te em meus braços
E com meus afagos afogar tuas mágoas
Sufocar teus medos
Desvendar teus segredos

Dissolver conflitos aflitos
Que te afligem e a mim atingem.

Clichê Piegas

Falo-te de Amor
Sou toda dor
Coração bate em brasa com fervor
E ainda espero sentir teu calor

Num desespero contínuo
Procrastinar meu destino
Na ansiedade que sinto
Perco-me em meu próprio íntimo

De ânsia em ânsia a galinha não enche o papo!

Quanto mais anseio viver
A realidade de ter e ser
De um Amor exemplar
O destino me põe a esperar

Exigente demais
Quero ser capaz
De enxergar algo mais

Sentir em meu ser
O desespero de Amar
Mas nunca sem receber
Aquele retribuído olhar

Gatuno

Soturno, noturno
Solitário sobre tudo
Sobrevoa em pensamento

Desseca quase tudo
Que te cerca no momento
Em volta, acima e por dentro.

Como um gatuno
Sombreado pelo silêncio
Age somente sorrateiro

Seduzido pelo mistério
De tudo o que é tortuoso
E muitas vezes estrepitoso

Se toca

Caia em si
Se toque
Sinta em si
O caimento
De um toque
Meu em ti

Todos los dias

Todos os dias passo por você
Sem lhe ver, sei que está lá
Lá, onde sei está sem ver, que
Todos os dias passam por você

Passo longe pelo alto
E percebo a falta de um beijo
Entre nós só asfalto
E com a quentura eu latejo

Numa cidade tão quente quanto o Rio
Sinto falta do seu olhar
Não sorrio, sinto frio
Sua frieza me faz chorar

Volta

Após um longo e tenebroso inverno
Resolvestes teus conflitos internos?

Quais as condições desta volta?
Não quero nenhuma meio morta
Nem mesmo travada toda torta
Cheia de caraminholas em volta!

Quero uma volta triunfal
Para matarmos as saudades a pau!

Sim ou Não

Apreensão que confusão no coração
Não raciocino, nem concentro
Só penso em teu movimento
Na tua intenção

Porque cortada nesta situação
Sinto-me travada, ansiosa.
Desgostosa de tua rejeição

Silêncio num ar cheio de suposição
Nem uma troca de olhar, nada.
Só distancia brutal sem perdão

Queria tocar-te, acalmar teu coração.
Dizer-te que ainda sou tua
E estou à espera de uma postura
Não agüento mais tanta lentidão

Liberte-me desta prisão
Só teu verbo me solta
Da-me a vida de volta
Diga um sim ou não

Duo Duro

Complicada ambivalente
Em cima do muro
Não sente nem consente
Perdida no duo

Estraga o que construo
Intruso, insistente
Faço-me rocha, duro
Até rachar eventualmente

Par-ti-da

Ela parte.

Quebra a parte que me falta
Ausência interrompe minha intenção
Falta a parte o que me parte o coração.

As sobras são migalhas de ilusão
Anseio imediata reunião!
No seio fica a saudade sem perdão

Mulher amada partida
Estilhaçada amante sofrida

Amador cheio de dor
Com ardor faz-se pedinte
E neste mesmo instante
Busca a outra...
Metade de si escondida em ti.

Como Viver

Não quero viver o preconceito
do erro de não ser aceito

Não quero viver o medo
do peso de amar o seio

Não quero viver como aberração
a situação de exceção!

Círco vicioso

Círculo vicioso estraga o gozo
Presa ao passado, travada no ato
Do presente estado fastidioso

No vai e vem indeterminado
Temo cansar-me a seu lado
Espero pacientemente o resultado
Deste conto mal contado

Encontros e desencontros inesperados
Chega de emocional descontrolado!
Raciocine sua vida viciada com atenção
E permita-se viver algo novo com emoção

Liberte-se desse sentimento enjoado
Tão cansado de sofrer em vão
Dê um ‘break’ nos hormônios
Tente entender a situação

Largue este fantasma
Essa sombra sem perfeição
Espera até que ela tome forma
E se encaixe novamente em seu coração

Quem te faz bem
Encontra-se a sua disposição
Abra bem os olhos e o coração
Portas não se abrem em vão

Abaixe a guarda
Desarme o exército
A recompensa que te aguarda
É valiosa, digna de muito mérito.

Círculo vicioso

Círculo vicioso

estraga o gozo

Travada sem ato

de fato

No presente estado fastidioso!

Ensejo

Bocejo ao ensejo que não vejo
latejo como quem ganha um beijo
farejo seu cheiro, seu trejeito
como um rato embusca de queijo

Gaguejo seu nome sem jeito
entojo do jogo tosco
só desejo o molejo de seu corpo
desajeitado junto ao meu peito

Junta logo seus pedaços
seu joguete deixou-me o coração aos trapos
e agora jogue fora esse medo calado
enfrente essa jornada comigo a seu lado.

L i b e r t a ç ã o

Quando o dia da libertação chegar, livre, leve, levada pela vida serei.
Lindo ser louvando o longo caminho a percorrer.
Finalmente largada, louca lanterna iluminando estradas escuras do viver.

Lambendo levemente lábios lentamente levados à loucura, entregue à luxúria estarei.
Ladainhas lamuriantes regadas de lágrimas não mais me lançaram à lástima, tristeza de não ter mulher amada, tão ladra, lascíva, larvada, prolongando minha lassidão me levando a destruição. Quando liberta desse látego, lanhada na ladeira estarei.
Procurando bela moça, lindeza louvável, libido licenciado terei.
Ao lado dela ladrilharei campos novos do viver, laçando literalmente cada pedaço de seu ser. Lavrando um relacionamento harmonioso límpido, linear, lídimo perante o luar.
Forte lógica ligação, lúcido sonho, não mais ilusão.
Finalmente minha lição quase letal passou e a libertação emfim chegou.

Mal de Amor

Minha agonia me condena à vida partida servida
em migalhas aos poucos consumida

Alma faminta sobrevive
por pouco não perece
pois o pouco que a revive
de muito Amor carece

Mal de Amor alimenta Bem minha agonia
farta, empanturrada, extasiada de fantasia.

Meu Bem Querer

Não ter sem querer
e sofrer por carecer
desse mau bem querer
que a meu ver
é essencial para viver

Indispensável sentir
tua tez tão gentil
que sobre meu corpo caiu
como uma luva fina
de dama rica

Adorável ausente
faz-te presente o mais rapidamente
conserva a minha pureza em teus lábios docemente
e me traz de volta à vida calorosamente

Solta

Solta como uma folha ao léu
como um balão no céu
um louco fora do pinel

um corte chanel
um homem sem chapéu
uma abelha sem mel

como um marido infiel
tribunal sem réu
absinto sem fel

Solta assim como quem não quer nada
saco plástico em beira de estrada
jogada, extraviada, solta, solta