Domingo, Dezembro 18, 2005

Necessária Solidão

A necessária solidão
Mais perto de si e longe do outro
Sem outra sombra a espreitar meu dorso
Olhos que dessecam até o osso!

Minha própria alma a contemplar
Um diálogo mudo
No meu inter-mundo
Obscuro habitat.

Intensa introspecção
Fonte inesgotável de inspiração
Estranho conforto de estar longe de todos
Daqueles barulhos doidos

Como em outra dimensão

Domingo, Novembro 06, 2005

Meio Ano ao Mês

Sei que foi seis
Que quase vira sete
O número que me remete
Ao tempo em que não tive vez

Um passado em seis
Servido meio ano ao mês
Período em que nem completamos três

Agora restam seis
Ou talvez quase cinco
Nesta outra fase fico rindo
De tudo que você não fez

Quinta-feira, Outubro 13, 2005

Ode à Assustadoramente Interessante

Por tudo que poderíamos ser
Como pensei que nossas diferenças se harmonizariam
E o toque que tanto anseio
Finalmente te atingiria.

Tu, ser inalcançável,
Tão distante como em outra galáxia.
De tudo destoa num desconforto interno
Que entoa e ecoa no outro.

Romântica em demasia, deslocada do campo terreno,
Mais palpável para singelos.
Sobrevive uma vida que a invade o peito e a mente,
Hermeticamente enclausurada em seu tempo singular,
Unitária, avançando lentamente com aferro em sua eterna inconstância.
De uma complexidade abarbada, tu és achacadiça, doce-acídula,
Boa de imaginar como seria saborear.

A mais bela esfinge escondida num labirinto espiralado
Eterna reclusa, refugiada de si e de todos os outros.
Desperta o sono dos curiosos, aventureiros masoquistas.
Dança a mais envolvente dança daqueles que andam em círculos
Que numa tentativa superficial de fuga - suga quem ousa se aproximar.

Inebriante, inocente, dissimulada, não mata por maldade, mas mata aos poucos,
Com incertezas inconsistentes, desestabilizadoras de si e todos os próximos.
Próximo que ama em pensamento e persevera em bruta realidade adversa.
Fonte inesgotável de adversidade, és ininteligível à visão, tato e principalmente à audição com a única ressalva do olfato, a esse ao menos é delegável à diligência da minha imaginação.

Aquela que em fuga se tranca em silêncio na sala,
Sua jaula, saída de emergência do real
A mais famosa válvula de escape do mundo mortal.

Tão virtualmente entretida, esconde-se atrás do véu irreal
Surrealmente levada para longe,
Através do espelho, que no entanto reflete tudo por inteiro.

Imagens compartilhadas no inconsciente coletivo,
Ricochetes em uníssono dos temores já vividos.

Inelutavelmente quebradiça, toda insegurança que a compõe,
Faz de sua imagem questionamento ambulante,
Alma cismada perambulante sem qualquer senso de direção.

A mais imperfeita dos mortais,
portadora de padrões comportamentais anormais
De uma inconstância afiada que finca medo e desespero
De um mal-estar altamente contagioso.

Nada

O nada quer me falar
Algo inteligível aos sentidos
E ao medir forças para pronunciar
Deixa um vácuo tão sonoro quanto entendido

Mas de nada não entendo
E fico solitária em silêncio
Nesse intemerato vazio
A vagar em pensamento

A imensidão do pensar
Torna o espaço um intento
No tempo certo a intentar
A compreensão de um silêncio.

Ex vai ir

Sentir esvair
Perder-se no ar
Tua memória partir
Para nunca mais voltar

Renascer e novamente ser
Livre do doce desprazer
De ter-te em mente
Nunca presente

Tua imagem em pensamento
Minha construção pertinente
Tão crente de ser bendita
Querida mas maldita

Para tua realidade feroz
Nem mesmo minha doce voz
Impede o esvair, vai, ir... foi.

Rival

Fosse verdadeiro o significado do gesto
Gesto solto num momento vago
Na inconsistência espontânea do sarcasmo

Fosse o afastamento sincero
E o espaço aberto aproveitado
O sorriso sem graça trabalhado

Fosse desenvolvida a possibilidade do caso
Aproximação intencional talvez sem perdão

Com malícia no olhar e tensão na mão

Fosse a razão da minha vertigem curada
Tratada de fato a meu lado
Presa ao meu peito arrebatado

Fosse minha juventude mais vivida
Minha pretendente menos concorrida
Minha rival menos embebida na taça divina

Fosse, somente fosse, mas não é!

Prisioneira

Escondo-me tão bem
atrás do véu da ilusão
sonho de ser sua em vão
não sei mais viver não

Sanidade já me falta
e sua ausência me enfada
o grito no meu peito cala
a dor que me ataca é pacata

Nunca pensei ser caça
presa fácil aprisionada de fato
com muito pesar vivendo sem graça
fardo pesado mentalmente ditado.

Visceral Now!

Momento visceral
Instala o terror neural
De tanto Amor carnal

Transcende o sensorial
Acende chama vital
Descendente do emocional

Congela o mundo sacal
Ensurdece ouvido mundano
Domando
Sistema nervoso central

Dó de Mi

Sem dó
Ré me faz só
Sofrer sem dó
Ré me faz só
Lá se vai

Agridoce

Doce língua austera
Perca tua acidez
Em troca da gentil tez
Daquela que por ti espera

Tece tua teia sagaz
Mas não negues a paz
Que podes receber
Sem ao menos perceber
Caso mal não me faças mais.

Vislumbre

Vislumbre a possibilidade dos casos
Casuais causadores de mudanças radicais
Tão necessárias à cura de melancólicos mortais

Acasos naturalmente vivenciados
Ao olhar desvelado de um passado
Viciado, tão farto de fatos ingratos

Vacilante embrenhando-se em veredas instigantes
Atraída a todo instante pelo gosto delirante
De aventura em desventura extenuante

Mulher Marinha

Vinda de um mar de loucuras
Onde tu és rainha
Das profundezas escuras
Para provocar rinha

És mal vinda
Imunda, afoga
Afunda sem finda

Teu veneno pegajoso
Traz desequilíbrio contagioso
Repugnante a meu gosto
Mas que desgosto reconhecer teu rosto!

Terna Pantera

Austera figura pantera
mostra sua face terna
aquela que anseia por mera
vontade etérea a completude eterna

Serve sua essência pura e quente
alimenta os pobres doentes
carentes de amor fremente

Revela sua alma sempre ardente
Algemada à certeza coerente
Da justiça do Amor dolente.

Amigo

Amigo meu querido
Companheiro certo das horas erradas
Verdadeiro ser solidário
No certeiro momento derradeiro

Único amável ombro quente
Tão firmemente apoiado
Num tronco crente que sente
Tudo o que a mim afligi

Escudo blindado que reflete
O mau augúrio a mim atribuído
Dentro de minha mente
Descontente

Consola consente
Refaz a minha mente
Mostra outra saída
Escala comigo a ruína

Força de vida
Vontade de curar ferida
Presença indispensavelmente constante
Faz de mim forte o bastante

Pelos caminhos do certo e errado
Leve-me sempre a seu lado
Percorrendo estradas de lodo
E campos revestidos d`ouro.

Faz-de-conta

Em faz-de-conta
Faço-me de tonta
Tento disfarçar
A farsa que se monta

Em mente fantasiosa
Faço de conta
Que o que me desmonta
É fácil e desmancha

De fato dissolve
Quando se desfaz o faz-de-conta
Ao nos darmos conta
De que é uma fada que nos conta

Nessa roda danço e fico tonta
Mas o equilíbrio vem disso dar-se conta!

Moça dos Olhos Verdes

Vede moça dos olhos verdes
Tão miúdos e profundos
Mulher madura tão dura
Da pele branca alva dama

Vede no verde de teus olhos
A verdade voraz da vontade reprimida
Esverdeada pintura, mistura de óleos
Na velada busca por saída

Vede em tua alvura
O reflexo da doçura
Da pureza escondida
Atrás de discreta armadura

Vede que não cedes a minha sede
Nem vens ao meu encontro
Contudo retenho-me nesta rede
Na esperança de um novo conto!

Eu Quero

Quero te encher de carinho
Quero beijinhos, abraços apertados.
Quero também te dar espaço
O quanto for necessário

Estruture tua vida com tranqüilidade
Quero harmonia e estabilidade
Muito amor, respeito e liberdade!

Por que não?
Podemos ser livres numa relação.
E ainda assim por uma ligação
Sermos presos um ao outro numa forte união

A Dois Passos

Procrastino o meu ensejo
Estico o longo fio de
desejo
Enroscado em meu seio
A dois passos de teu paradeiro

Um perto-longe
Em contramão
Assim tão diluído
Na imprecisão

Vivencio em silêncio
A implacável presença da lentidão
Delicio-me com imagens
Em eminência de construção

Processos de significação?
Posso não, posso pensar...
Para que processar
Essa inexorável indecisão?

Esperanças embasadas

Nesse processo paulatino
I Ching determina meu destino
Acredito no sábio Oriente
Consciente do que o inconsciente teme

Espero progresso gradual
Pacientemente me infiltrando
Aos pouquinhos conquistando
Meu espaço em teu mundo espiral

Agarrada às esperanças
A sonhadora nunca desengana
Esse alicerce de algodão
Que embasa sua razão

Racionaliza meu chão
Fumaça de ilusão
Dura como torrão

Quinta-feira, Setembro 29, 2005

Lamento de uma Amor com aplicabilidade

Sinto ao saber que possuo meia
Sua metade partida quebrada
Sinto não ter-te por inteira
Somente esfacelada

Não sou a causadora da paixão
Visceral avassaladora que consome e alimenta
Que num êxtase de felicidade te enche de tensão
Amedronta com ternura, estremece teu coração

Conformada com teu brando amor
Enquanto o meu arde em alarde
Rasgo-me por inteira provocando minha entrega maior

O preço de um amor com aplicabilidade
Parece-me alto ao deixar a desejar
Algo muito maior que jamais poderei lhe dar

Nova Moça

Misteriosa moça sorrateira
Tua gentil majestade
Enseja paixão ardente
Timidez silenciosa
Coração carente

Solene na melancolia de teus olhos
No castanho de teus cabelos
Na alvura de tua pele
Anseio repousar sobre teu seio
Almejo sentir teu cheiro

Quero teu beijo suave
Lábios macios cheios de vontade
Desejo sentir sem medo
Tremer veemente vulnerável
Entregue a ti em teus braços

Esse momento procrastinado
Destino adiado
Ainda não deleitado
Espero primeiro encontro desajeitado

Olhares envergonhados
Sorrisos sem graças cheios de graça.
Preparação para o primeiro toque
Com tensão, excitação concomitante.
Neste mesmo instante coração pulsa na mão
Pele + pele = explosão!

Toque de dedos
Perco-me no êxtase da situação
Teu cheiro me inunda
Provoca-me vertigem profunda
Em alerta, constante apreensão
Aprendendo a viver com mais emoção.

Destinados

Peço-lhe que abra o coração
Não deixe a porta fechada
Deixe-me entrar aí bem no fundão

Acredito em destino
Com certo controle em nossas mãos
Podemos moldar a nossa missão

Mas caso não queira minha mão
Fizemos tudo que estava ao nosso alcance
O destino que avance e decida este romance
Pois mais esforço seria em vão

Atores no Tempo

Espero ansioso o resultado
Terá o tempo se tornado seu aliado?
Ajustando parafusos desajustados
Clareando pensamentos inebriados?

Atingida a paz de espírito necessária
Reiniciamos a historia já encenada
Mesmos atores de alma renovada
Recontam de maneira aprimorada

No palco da vida então
Vivenciam de fato uma paixão
Branda, leve, saudável relação.
Enfim o Amor entra em ação.

Bom Valente

Abjuras com fervor
Todas minhas juras de amor
Abalizado bom valente
Acabrunhado por meus pecados
Atravesso bravamente a corrente

Para acorrer-te enfim
Dos abrolhos do mar sem fim
Das lágrimas nefastas
Que a tua face encharcam
E a tua vida estragam

Demora

Demoras, pois não vês.
Todo meu bem querer
Faltas perceber e entender
Todo bem que a ti desejo fazer.

Quero-te em meus braços
E com meus afagos afogar tuas mágoas
Sufocar teus medos
Desvendar teus segredos

Dissolver conflitos aflitos
Que te afligem e a mim atingem.

Clichê Piegas

Falo-te de Amor
Sou toda dor
Coração bate em brasa com fervor
E ainda espero sentir teu calor

Num desespero contínuo
Procrastinar meu destino
Na ansiedade que sinto
Perco-me em meu próprio íntimo

De ânsia em ânsia a galinha não enche o papo!

Quanto mais anseio viver
A realidade de ter e ser
De um Amor exemplar
O destino me põe a esperar

Exigente demais
Quero ser capaz
De enxergar algo mais

Sentir em meu ser
O desespero de Amar
Mas nunca sem receber
Aquele retribuído olhar

Gatuno

Soturno, noturno
Solitário sobre tudo
Sobrevoa em pensamento

Desseca quase tudo
Que te cerca no momento
Em volta, acima e por dentro.

Como um gatuno
Sombreado pelo silêncio
Age somente sorrateiro

Seduzido pelo mistério
De tudo o que é tortuoso
E muitas vezes estrepitoso

Se toca

Caia em si
Se toque
Sinta em si
O caimento
De um toque
Meu em ti

Todos los dias

Todos os dias passo por você
Sem lhe ver, sei que está lá
Lá, onde sei está sem ver, que
Todos os dias passam por você

Passo longe pelo alto
E percebo a falta de um beijo
Entre nós só asfalto
E com a quentura eu latejo

Numa cidade tão quente quanto o Rio
Sinto falta do seu olhar
Não sorrio, sinto frio
Sua frieza me faz chorar

Volta

Após um longo e tenebroso inverno
Resolvestes teus conflitos internos?

Quais as condições desta volta?
Não quero nenhuma meio morta
Nem mesmo travada toda torta
Cheia de caraminholas em volta!

Quero uma volta triunfal
Para matarmos as saudades a pau!

Sim ou Não

Apreensão que confusão no coração
Não raciocino, nem concentro
Só penso em teu movimento
Na tua intenção

Porque cortada nesta situação
Sinto-me travada, ansiosa.
Desgostosa de tua rejeição

Silêncio num ar cheio de suposição
Nem uma troca de olhar, nada.
Só distancia brutal sem perdão

Queria tocar-te, acalmar teu coração.
Dizer-te que ainda sou tua
E estou à espera de uma postura
Não agüento mais tanta lentidão

Liberte-me desta prisão
Só teu verbo me solta
Da-me a vida de volta
Diga um sim ou não

Duo Duro

Complicada ambivalente
Em cima do muro
Não sente nem consente
Perdida no duo

Estraga o que construo
Intruso, insistente
Faço-me rocha, duro
Até rachar eventualmente

Par-ti-da

Ela parte.

Quebra a parte que me falta
Ausência interrompe minha intenção
Falta a parte o que me parte o coração.

As sobras são migalhas de ilusão
Anseio imediata reunião!
No seio fica a saudade sem perdão

Mulher amada partida
Estilhaçada amante sofrida

Amador cheio de dor
Com ardor faz-se pedinte
E neste mesmo instante
Busca a outra...
Metade de si escondida em ti.

Como Viver

Não quero viver o preconceito
do erro de não ser aceito

Não quero viver o medo
do peso de amar o seio

Não quero viver como aberração
a situação de exceção!

Círco vicioso

Círculo vicioso estraga o gozo
Presa ao passado, travada no ato
Do presente estado fastidioso

No vai e vem indeterminado
Temo cansar-me a seu lado
Espero pacientemente o resultado
Deste conto mal contado

Encontros e desencontros inesperados
Chega de emocional descontrolado!
Raciocine sua vida viciada com atenção
E permita-se viver algo novo com emoção

Liberte-se desse sentimento enjoado
Tão cansado de sofrer em vão
Dê um ‘break’ nos hormônios
Tente entender a situação

Largue este fantasma
Essa sombra sem perfeição
Espera até que ela tome forma
E se encaixe novamente em seu coração

Quem te faz bem
Encontra-se a sua disposição
Abra bem os olhos e o coração
Portas não se abrem em vão

Abaixe a guarda
Desarme o exército
A recompensa que te aguarda
É valiosa, digna de muito mérito.

Círculo vicioso

Círculo vicioso

estraga o gozo

Travada sem ato

de fato

No presente estado fastidioso!

Ensejo

Bocejo ao ensejo que não vejo
latejo como quem ganha um beijo
farejo seu cheiro, seu trejeito
como um rato embusca de queijo

Gaguejo seu nome sem jeito
entojo do jogo tosco
só desejo o molejo de seu corpo
desajeitado junto ao meu peito

Junta logo seus pedaços
seu joguete deixou-me o coração aos trapos
e agora jogue fora esse medo calado
enfrente essa jornada comigo a seu lado.

L i b e r t a ç ã o

Quando o dia da libertação chegar, livre, leve, levada pela vida serei.
Lindo ser louvando o longo caminho a percorrer.
Finalmente largada, louca lanterna iluminando estradas escuras do viver.

Lambendo levemente lábios lentamente levados à loucura, entregue à luxúria estarei.
Ladainhas lamuriantes regadas de lágrimas não mais me lançaram à lástima, tristeza de não ter mulher amada, tão ladra, lascíva, larvada, prolongando minha lassidão me levando a destruição. Quando liberta desse látego, lanhada na ladeira estarei.
Procurando bela moça, lindeza louvável, libido licenciado terei.
Ao lado dela ladrilharei campos novos do viver, laçando literalmente cada pedaço de seu ser. Lavrando um relacionamento harmonioso límpido, linear, lídimo perante o luar.
Forte lógica ligação, lúcido sonho, não mais ilusão.
Finalmente minha lição quase letal passou e a libertação emfim chegou.

Mal de Amor

Minha agonia me condena à vida partida servida
em migalhas aos poucos consumida

Alma faminta sobrevive
por pouco não perece
pois o pouco que a revive
de muito Amor carece

Mal de Amor alimenta Bem minha agonia
farta, empanturrada, extasiada de fantasia.

Meu Bem Querer

Não ter sem querer
e sofrer por carecer
desse mau bem querer
que a meu ver
é essencial para viver

Indispensável sentir
tua tez tão gentil
que sobre meu corpo caiu
como uma luva fina
de dama rica

Adorável ausente
faz-te presente o mais rapidamente
conserva a minha pureza em teus lábios docemente
e me traz de volta à vida calorosamente

Solta

Solta como uma folha ao léu
como um balão no céu
um louco fora do pinel

um corte chanel
um homem sem chapéu
uma abelha sem mel

como um marido infiel
tribunal sem réu
absinto sem fel

Solta assim como quem não quer nada
saco plástico em beira de estrada
jogada, extraviada, solta, solta